Publicado por: Marina Spirandelli | 12 Março, 2009

Seis meses depois

TerraA África fica em pensamento. Sempre. É impressionante como essa terra é capaz de provocar no viajante mudanças irreversíveis. Com o olhar e o coração transformados, assim que voltei de viagem, tomei a decisão de, finalmente, fazer minha passagem profissional para o Terceiro Setor. Com a mesma coragem que imbuiu meu ser ao pular do maior bungy jump do mundo, entrei na sala da minha chefe, três dias depois de retomado o trabalho, e simplesmente disse que não conseguia mais. Não conseguia mais trabalhar horas e horas por um objetivo que não era o meu. Desde janeiro, passei a trabalhar com Responsabilidade e Assistência Social e agora faço especialização em Projetos Sociais. Estou muito mais feliz e muito mais conectada ao mundo em que eu vivo. Espero poder a partir de agora retomar algumas histórias da África aqui neste blog, para apoiar quem pretende fazer essa viagem inesquecível.

Publicado por: maribergel | 27 Outubro, 2008

Paraíso fiscal

Nossa, tanta correria que, por fim, já estou de volta à terrinha e não escrevi sobre as ilhas Seychelles. Vamos lá, então. Aí, daqui a uns dias conto sobre a minha chegada pra lá de excitante. Quando desci em Seychelles, depois de quase cinco horas de vôo partindo de Joanesburgo, me dei conta de que não tinha o ticket da passagem de volta (nem de ida…), um endereço nas ilhas ou qualquer outra informação que me auxiliasse na entrada ao país. Como o aeroporto é minúsculo, me deixaram ir lá fora para encontrar com a representante da agência de viagens que me convidou para conhecer Seychelles com a finalidade de divulgar as ilhas na mídia brasileira. Consegui passar pela imigração e, daí por diante foi gente me acompanhando e recebendo com água gelada e toalhinha pra refrescar o rosto e limpar as mãos. Coisa de gente fresca. Mas que é gostoso, é.

Se a viagem foi desgastante por eu ter me sentido uma estranha no ninho em vários momentos e por ser um corre-corre doido pra conhecer o máximo das ilhas em cinco dias, valeu pela beleza deslumbrante do lugar. Como é um dos turismo de mais alto luxo do mundo, em lugar de circular com roupas à vontade, não é raro ver a mulherada de salto-alto e os caras de roupa social. E o calor correndo solto. Dá pra imaginar como eu, uma quase bicho-grilo aos olhos mais taxativos, era vista como um ser esquisito.

Tive a oportunidade de passar por sete ilhas, algumas das quais nunca tiveram a benção de ser pisadas por nenhum brasileiro antes. Das 115 ilhas, algumas são de formação granítica, e outras, são coralíneas. Com o solo rochoso e de cor branca, a água ganha as mais diversas tonalidades. Vários filmes e campanhas publicitárias são filmados por ali.

Na segunda noite, na Denis island, emq ue estive no quarto presidencial (a diária custava 1.600 euros), eu estava indo dormir, quando um cara do país de Gales, que estava em lua-de-mel, puxou papo comigo. Fiquei meio ressabiada, pois eu era a única solteira no pedaço, mas a esposa dele sentou ali no bar e ficamos os três conversando e bebendo. Provei dos três sabores do rum local, dois cálices do licor de coco do mar (uma árvore endêmica da região, cujo fruto tem as versões feminina e masculina e formato que remete ao púbis de uma mulher e ao pênis de um homem, respectivamente), uma caipiroska… Depois sentou um casal de holandeses do nosso lado, com o cara pra lá de Bagdá. Ele tinha uma garrafa de vodka que a gente ajudou a dar cabo. Os barmans se retiraram e ficamos lá, sem mais opções de bebida. Eis que a malandra aqui foi até o refrigerador que, mesmo com cadeado, permitia que fosse aberta uma fresta. Bebemos champagne, vinho branco e pegamos suco para tomar com a vodka do hermano holandês. Quando eu já estava vendo as imagens duplicadas, resolvi debandar. Afinal, eu era a única que podia cuidar de mim mesma no pedaço. Minha habitação era a mais distante, mas dei conta do recado e consegui me jogar na minha cama de princesa antes de pagar um mico e capotar em praça pública.

Os outros dias também foram bacanas, mas foi bastante desgastante. Não sei o que acontece comigo que é só pisar em um resort que eu começo a ficar enjoada. É sério! Tema pra tratar na minha terapia…

A população de Seychelles é bastante miscigenada e o clima amistoso lembra o Brasil. Avistadas pela primeira vez por Vasco da Gama, em 1512, as ilhas ficam no Oceano Índico, na altura do Quênia. Reivindicada pela França em meados de 1700, Seychelles passou para o domínio britânico no início do século 19. Foi rota de comerciantes chineses e indianos, e foi habitada também por negros que eram escravos vindos do continente africano. Independentes desde 1976, as ilhas têm hoje, no total, cerca de 85 mil habitantes, e uma mistura de todos os povos que por lá passaram.

Publicado por: maribergel | 13 Outubro, 2008

Safari animal

Nao faltou vontade para escrever um novo post nos ultimos dias; o problema foi mesmo a qualidade das conexoes que eu encontrei por aqui. Nao tinha como vir para a Africa do Sul sem fazer um safari. Na duvida, fiz dois: um com as meninas e outro sozinha. O primeiro, fizemos em uma reserva particular chamada Amakhala. Fica a cerca de uma hora de Port Elisabeth, que faz parte da Garden Route, a estrada que pegamos partindo de Cape Town. Foram longos 850 quilometros de distancia dirigindo ate chegar la. O preco foi super reduzido pra gente, pois devo escrever materias a respeito do lugar. Eh um lugar super familia e todos sao extremamente atenciosos. Sem falar no cuidado com a arrumacao dos quartos e a comida sensacional. Bom, vamos ao safari. Fizemos dois, um no final da tarde e outro na manha do dia seguinte, partindo 6 horas da manha. O lugar, assim como tantos outros na Africa do Sul, eh chamado de Game Reserve. Isso significa que se trata de uma propriedade particular que colocou um monte de bicho em uma area delimitada e ampla. Quando saimos para procurar os animais eles chamam de game, pois eh como se fosse um jogo, uma brincadeira que envolve ficar cacando os bichos. Foi absurdo o frio que passamos! Um vento gelado e, mesmo com varios casacos e cobertores, o jeito era rir pra nao chorar. Vimos varios bichos, mas o mais especial foi a girafa. Tinha elefante, rinoceronte, antilopes, zebras…

O outro safari eu fiz um dia depois que as meninas voltaram para o Brasil. Foi no Singita, que tambem eh uma Game Reserve, mas que fica em uma area que esta unida ao Kruger Park. O hotel era super luxuoso, mas com aquele tipo de coisa que, pessoalmente, me cansa. Todo mundo paparicando, com aquele ar de falsidade. Tem gente que precisa se sentir amada a qualquer custo, e um sorriso amarelo ja resolve a questao. Diferente do outro lugar em que fomos, la eu soh podia sair do quarto depois do final da tarde se tivesse alguem do hotel me acompanhando, pois os bichos ficam soltos e podem aparecer por ali. Alias, amanheci vendo antilopes na minha varanda, comendo folhas das arvores. La, fiz quatro safaris. Todos foram simplesmente maravilhosos! Vi varios elefantes, rinocerontes, leoes, jaguatiricas, veados, bufalos, girafas, hienas. Uma das cenas foi impressionante. Uma jaguatirica estava comendo um antilope, ai uma hiena se aproximou, botou a jaguatirica pra correr e devorou o antilope. Ta tudo filmado; chegando no Brasil vou colocar alguns videos online aqui. Ficar observando a vida animal eh simplesmente demais! Sabe que eles parecem gente? Ou sera que nos eh que parecemos animais?

Publicado por: maribergel | 6 Outubro, 2008

Sempre em frente

Estou agora num hotel de luxo chamado Singita (www.singita.com). Ele fica dentro do Kruger Park e eh considerado um dos mais luxuosos do mundo. O quarto eh um absurdo de lindo. Tem lareira, banheira, piscina, tres chuveiros, cama de princesa, vista pro mato, i-pod com caixa de som pelo quarto todo. Na verdade, eh uma casa, nao um quarto. Soh faltou uma companhia… Para vir, peguei um aviao que cabe 20 pessoas. Nao consigo entender esse povo rico: tem tudo e mais um pouco, voce olha ao redor e estao todos meio com cara de insatisfeitos. Acho que falta mesmo eh entender o que eh importante na vida, o resto eles tem.

Ontem, depois de me separar das meninas, fui para um hostel em Joanesburgo. O pessoal do servico de informacao liga pro hostel que a pessoa escolher (eu ja tinha uma indicacao) e os caras te buscam no aeroporto. Tudo porque a cidade eh considerada uma das mais perigosas do mundo. Eu ja tinha ouvido varias historias sobre Joanesburgo e ainda conheci um japones em Cape Town que foi assaltado e espancado la. Por isso, a ideia era nem sair do aeroporto, mas o unico hotel la era carissimo. O figura do hostel me buscou e fui pro Brown Sugar, o nome do hostel. Fica a 15 minutos do aeroporto e eles nao cobram pelo shutle. O hostel era super bacana e, como eu estava exausta, ja que viramos a noite anterior na balada e no aeroporto, resolvi pegar um quarto soh pra mim. Dormi a tarde toda e, a noite, uma australiana e um ingles me chamaram pra ir para uma balada com um sul africano do hostel. Minha curiosidade foi maior que o medo de sofrer algum tipod e violencia e, me sentindo segura por estar com alguem daqui, fui com eles.

Chegamos a um bar chamado Tandoor. Era uma especie de varanda ampla e soh tocava reggae e ragga. Delicia. Alem dos outros turistas e eu, todos eram negros. Praticamente todos eram homens. No comeco, olharam bastante pra gente. Depois, muitos continuaram olhando, mas confesso que me senti em casa. Nada de hostilidade ou algo do genero. As vezes cansa um pouco porque eles ficam todos em cima, como se eu fosse a mulher mais linda do mundo. Varios fazem declaracoes e coisas do genero. Bom, dancei horrores e ouvi ateh que eu dancava como uma africana. No final da noite, quando o lugar estava fechando, dois irmaos super fofos me chamaram pra seguir a balada, mas os gringos que estavam comigo nao quiseram. Fiquei tentada, mas nao sabia onde eu estava, onde ficava o hostel, quem eram eles, e resolvi nao arriscar tanto. No fim, amei a balada.

Mas… no dia anterior, passamos varias horas com o Victor, um rapaz de Malawi, um pais que fica acima de Mocambique. Ele trabalha no hostel em que ficamos em Capetown e quis dar uma volta com a gente. Ele eh negro e vivia em uma township, onde vivem os negros daqui. Ele me fez pensar muito a respeito do que escrevi no outro post, de que o racismo aqui era ameno. As cidades sao lindas, mas eh um absurdo se dar conta de que a maioria dos negros vivem nessas areas perifericas, que parecem muito com uma favela. Fomos com o Victor dar uma volta de carro por uma township e ele foi contando o que aconteceu na vida dele nos ultimos meses. Acontece que, em maio, eclodiu uma briga violenta entre os negros sul africanos e os negros de outros paises. Os sul africanos meteram na cabeca que os negros vindos de fora estavam tirando seu trabalho e mulheres, e decidiram que isso tinha que ser resolvido com violencia. Muitos foram mortos queimados. O Victor conseguiu fugir, mas teve de deixar tudo para tras: casa, eletrodomesticos, roupas etc. Hoje, ele vive no centro de Cape Town. Ele diz nao ter nenhum amigo sul africano, apesar de se mostrar alguem super amigavel. Ao menos, sabemos que ele ganhou tres novas amigas brasileiras. Estou pensando ateh em importar o rapaz para trabalhar no meu futuro hostel em Sao Paulo.

Publicado por: Marina Spirandelli | 4 Outubro, 2008

De volta

Ontem a noite chegamos de volta a Cape Town depois de oito horas de estrada. Resolvemos pegar outra rota para voltar de Port Elizabeth, a ‘route 62′. A estrada e linda, mas perigosa. Falta sinalizacao, principalmente a noite. Vimos um acidente e por pouco nao tomamos a decisao de andar mais kms para voltar para a N2. A ’ route 62′ e uma estrada para percorrer durante o dia, parando em varias cidades, principalmente para visitar algumas das vinicolas do caminho. Nos fizemos numa tacada so… Hoje curtimos o ultimo dia da nossa viagem, um sabado ensolarado. Fomos ao ‘Waterfront’, uma especie de porto comercial com lojas, restaurantes, musica ao vivo. Uma delicia, otimo programa para quem esta na cidade durante o fim de semana. Reservamos um tempinho para as compras, claro, e para resgatar o dinheiro do imposto que pagamos em algumas delas. E ai vai uma dica: peca a nota de ‘tax income’ sempre que comprar qualquer produto no pais: cds, roupas, livros, eletronicos… So nao vale alimentacao e servicos. O imposto imbutido no valor desses produtos e restituido ao turista no aeroporto. E so apresentar passaporte e a passagem de volta.

As tres da manha seguimos para o aeroporto. Nossa viagem chega ao fim, mas o blog certamente nao. Ainda temos historias, opinioes, informacoes, dicas e fotos para postar, e continuaremos fazendo isso do Brasil. A Mari sera nossa correspondente por mais uma semana, com informacoes de Jo’burgh, Seishelles – ih, nao sei se eu acertei o nome… e mais alguns lugares que ela visitara… Postaremos tambem o ‘TOP 10′ da viagem, aguardem rs. Espero que voces tenham curtido a trip conosco, e que um dia sigam os passos dessa experiencia fantastica!

Publicado por: Marina Spirandelli | 1 Outubro, 2008

A sensacao da queda

Fazer o caminho entre Cape Town e Port Elizabeth est’a sendo maravilhoso. Saimos de CT na segunda e hj, quarta, chegamos a Jeffrey’s Bay. Alugar um carro foi realmente a melhor opcao. Alem de ser mais barato que o BazBus (um ‘chapa’ muito organizado, que para em varios albegues e pontos turisticos), vamos fazendo a nossa rota, a nossa maneira. Vale muito fazer essa viagem. Eu reservaria ate 20 dias, para ter tempo de curtir cada cidadezinha. O litoral e lindo e a paisagem da rodovia ‘e inacreditavelmente bela. Estamos seguindo pela N2, que vai cortando diversas cidades. A mais linda delas e, sem duvida, Knysna – uma cidade que mistura lagos, mar e montanhas. Hoje as 10h da manha estavamos no ‘view point’ da cidade, onde e possivel ter a visao mais incrivel desse cenario. Tambem em Nkysna ficamos em um albergue que foi eleito por nos como o melhor em recepcao, cordialidade e energia, o Knyasna Backpakers. Saindo da cidade, andamos mais alguns quilometros ate parar no maior bungee jump do mundo. Sao 216 metros. Cinco segundos de queda livre em direcao a um riacho, circundado por montanhas, que acabam ao longe, no mar. Para quem nao tem mesmo medo de altura, a parada para o pulo e obrigatoria. Sao 100 rands para fazer uma tirolesa por baixo da ponte ate o local do pulo e mais 600 rands para se jogar em direcao ao nada. Indescritivel a sensacao da queda. E o silencio da natureza enquanto vc esta largada, de ponta cabeca, pendurada pelos pes, esperando a subida de volta. Lembramos de todos os amigos aventureiros e pulamos em homenagem a todos voces! Passaremos a noite em J.Bay e seguimos amanha para um ‘Game Reserve’, o Amkhala, um parque privado de uma familia que chegou aqui a mais de 150 anos. Por enquanto nao tivemos muita sorte na missao de interagir com os animais. Vimos um pinguin – isso mesmo UM! E ainda escondido atras de um arbusto!! Parece ate que ele sabia que queriamos dar um abraco!! E em Hermanus, a primeira cidade que paramos depois de Cape Town, saimos em um barco e vimos, com clareza, so duas baleias… Hermanus e o melhor ponto terrestre para ver baleias no mundo. Recomendamos a cidade, mas nao o passeio de barco. Foram tres horas de mar mexido, com muitas ondas. As meninas enjoaram bastante. Foram quatro saquinhos para cada uma! Isso porque nao tinhamos nem chegado perto do tradicional cafe da manha daqui: ovos, salsicha, bacon e uma torradinha. As fotos sao muitas, nao se preocupem!!!! Postaremos assim que der e faremos a sessao de historias na volta ao Brasil! Eu e Giu chegamos no domingo, dia 5, fim de tarde. E a Mari segue viagem por mais 10 dias!! Delicia, da ate vontade mesmo de ficar por aqui…

Publicado por: maribergel | 28 Setembro, 2008

Balada de negao

Na nossa primeira noite em Cape Town, resolvemos explorar a balada sul africana. Tem uma rua chamada Long Street Road onde tem uma balada atras da outra. As ruas proximas tambem tem casas noturnas pra todos os gostos. Na verdade, nao vi nenhum lugar brasileiro. Quem quiser arriscar, eh sucesso na certa. Eu, mane, sai com minha bolsa a tiracolo, carregando filmadora, maquina fotografica, dinheiro, passaporte… Depois a Marina me da o toque de que todos advertem que aqui a pratica do pick pocket, ou seja, arrancarem sua bolsa, eh bastante comum. No comeco, ficamos tensas com o movimento nas ruas, que eh intenso madrugada adentro, mas depois fomos relaxando. Mantendo as antenas ligadas, obvio. Interessante que eh proibido andar nas ruas com bebida alcoolica. Para sair de um estabelecimento, eh preciso acabar seu drink antes. Entramos num albergue/balada e conhecemos duas irmas de Lhesoto, um pais micro no meio da Africa do Sul. Elas nos convidaram para ir num pub chamado Marvel, sobre o qual ja tinham falado pra gente. Tinhamos escutado que era uma das melhores baladas, mas tinha dois porens: soh tinha negao e era um lugar onde rolava muito pick pocket. Entramos, eu super ligada na minha bolsa. Custava 15 rands, o equivalente a R$ 4, e nossa mao foi carimbada para o caso de a gente querer ir pra outro lugar e voltar pro Marvel. O lugar estava lotado! De negao, claro. Empurra daqui, vai dali, conseguimos um espaco pra dar uma dancada. Som de primeira qualidade. Acho que o fato de termos encarado tudo numa boa, que talvez nao seja o caso da maioria dos turistas, fez com que a gente fosse aceita como qualquer outro no bar. Uma licao de convivio do pais tido como um dos mais racistas do mundo. Vai Brasil, que a gente ainda tem muito a avancar no que diz respeito ao preconceito racial. Essa foi uma verdadeira black party.

Publicado por: Marina Spirandelli | 27 Setembro, 2008

A segunda parte

Estamos em Cape Town. Ontem, na primeira noite na cidade, ja sentimos o peso da diferenca entre as culturas mocambicana e sul africana. Aqui temos que ficar muito mais ligadas, nao da pra bobear. Preco do taxi, bolsa, ruas, tudo. ’E outra energia. Conhecemos tres africanos de um pais que nunca tinhamos ouvido falar. Lesoto! Uma menina chamada Christina, outra com o nome de Matapelo! E um terceiro amigo, que eu chamava de amigo mesmo. Comprei uma dose de vodka por 11 Rands, o que da pouco mais de um dolar. Qualquer taxi nao sai por menos de 50 Rands. Hoje fomos ver o por do sol mais lindo de nossas vidas, de cima da Table Mountain. O horizonte fazia ate uma curva. De tirar o folego. Antes, passeamos pela Long Street e nos acabamos entre cds de musica africana, souvenirs, pinturas… Compramos de tudo um pouco, numa feira que deixa a Benedito Calixto no chinelo. Ate eu que nao sou de comprar tive que me segurar para nao escolher uma coisa de cada lojinha. Amanha vamos ao Cabo da Boa Esperanca e a ideia e alugar um carro, que aqui e bem mais barato. Dificil vai ser acertar a pista ao virar a direita! De carro, seguiremos na segunda pelas praias. Para quem pensa em vir para Cape town em um esquema low budget, o hostel em que estamos e o lugar. Ashanti! Ju, valeu mesmo pela dica!!!

Publicado por: Marina Spirandelli | 25 Setembro, 2008

Um dia de superacao

Depois que a Mari seguiu seu caminho para o resort, eu e a Giu ficamos mais um dia em Tofo. Dia espetacular. A Giu ganhou um anel de noivado do seu principe austriaco e se despediu com dor no coracao. A passagem para a Austria ja esta quase comprada. Agiliza ai hein Waaa!!! Passamos esse dia na praia com o Alexis, em Tofinho, uma praia vizinha a Tofo. Tambem paradisiaca. Se voce pensa em vir a Mocambique, Tofo e um destino obrigatorio. Tem a melhor estrutura e as praias mais lindas. Pelo menos das que vimos. Eu e Giugiu, na companhia de Alexis, seguimos para Bilene. Descemos nos as meninas e Alexis seguiu viagem, para Maputo. Descemos e nos instalamos em um camping. Calor de matar. Nao tinha uma sombra na praia. Uma praia tao longa que nao se podia ver o final. Decidimos pedir uma carona (aqui, uma boleia), na estradinha de terra vermelha, paralela a praia. Conseguimos. Entramos em um carro de dois sul africanos que estavam voltando das compras. Nossa sorte tem sido impressionante. Realmente acreditamos no poder do universo. Nos guiamos pelo nosso pensamento positivo e sempre nos deparamos com pessoas dispostas a nos ajudar, verdadeiros anjos. Marc e Jonhatan nos levaram para outra praia, onde encontramos sombra e comida. Muito boa por sinal. Eles eram simplesmente os donos do lugar. Passamos a tarde ouvindo as historias de Marc, que esteve em cinco guerras. Incontaveis. Infelizmente, estavamos sem maquina fotografica, e toda essa parte da historia ficara resgistrada apenas na memoria de quem viveu. Ja a noite, nossos novos amigos nos chamaram para um churras local. Capitulo a parte. No dia seguinte, seguimos para Bilene, uma praia de lagoa. Lindo, varias cores de azul, verde, ate branco. Arranjamos uma casinha para ficar, sem imaginar como nosso dia seguinte seria uma aventura. Afinal, vcs devem estar se perguntando, superacao de que!?!? As 13 horas de hoje, entramos no unico chapa que havia em Bilene. Estava vazio. Pensamos, sorte? Nao exatamente. O carro rodou, e rodou, e rodou mais um pouco, ate que estivesse cheio para ir para Macia, a cidade onde pegariamos outro chapa para Maputo. Mas cheio, nao e o nosso cheio da lotacao. Nao, amigos. Sao exatamente 24 pessoas e uma crianca, numa Kombi onde caberiam quem sabe dez. E fomos. Rindo, cantando, dancando, sempre. As novelas nos abrem portas, e, claro, nossos atributos femininos tambem. Como a Mari disse, nao e dificil fazer amizade com um MocambicanO. Chegamos em Macia na esperanca de pegar um chapa mais vazio para Maputo. Que nada. Mais duas horas enlatadas. Nenhuma foto pode traduzir a situacao. Rimos para nao chorar, nos sentimos verdadeiramente viajantes, ainda mais pensando na Mari no resort, mesmo sem saber que ela estaria vendo o nascer do sol maravilhoso que descreveu pra vcs. A Giu ganhou da Ximamate 19 estrelas em seu caderninho. Sobrevivemos para contar. Definitivamente, depois dessa, qualquer lugar do mundo sera destemido para Trinity e Capitan. Chegamos em uma vila pauperrima, onde um de nossos amigos nos indicou um taxi por 200 meticais. Nao seria na verdade bem um taxi. O motorista, manco, saia do carro por uma fresta da porta, que ficava pendurada por apenas um parafuso. Era quase a porta do carro do De Volta para o Futuro, versao Mocambique do Terror. Apesar do cenario, o que vale em Mocambique e a simpatia e a honestidade dessa gente. Chegamos salvas ao The Base Backpacker onde, pra nossa alegria, havia uma ultima cama vaga, que iremos, sorrindo, dividir. Amanha, seguimos para Cape Town, e o nosso unico plano e saltar de bunguee jump, para deixar pra tras qualquer tensao. Beijos a todos nossos leitores!!!!!! Khanimambo!!!

Publicado por: maribergel | 24 Setembro, 2008

Malaria no resort???

Depois do esquema roots, veio o esquema luxo. Estou agora em um resort cinco estrelas no arquipelago de Bazaruto, em Mocambique. Eh uma ilha paradisiaca, que tem apenas 3.500 habitantes. Nao sei onde estao, pois soh vejo os hospedes e os funcionarios. O lugar tem capacidade para apenas 114 pessoas. Vim de aviao monomotor ontem, depois de passar a noite na cidade de Vilankulos, que fica no continente. Para chegar la, havia tomado um chapa (lotacao), em uma viagem que levou umas sete horas. Antes do chapa, um barco entupido de gente me levou de Inhambane a Maxixe. Medo total: nada de coletes salva-vidas, e parecia que o barco ia afundar a qualquer momento. Nada de turistas, e eu, pra variar, a unica branquela no pedaco. Mas, apesar de minha presenca chamar a atencao, nao me sinto discriminada. Os mocambicanos sao absurdamente amaveis e simpaticos e nao eh dificil fazer amigos por aqui. Ta certo que ganho um novo admirador a cada esquina, mas tudo bem. O desafio maior eh me aproximar das mulheres daqui, mas tenho conseguido isso aos poucos. Segundo uma curandeira que eu conheci, elas sentem ciumes das turistas mulheres. Voltando ao aviao para Bazaruto… Este eh um mes de ventos fortes aqui em Mocambique, entao voo foi bastante turbulento. Medo geral, mas pelo menos a viagem toda foi sobre o mar. Chegando no super resort, fui recebida com uma deliciosa salada de lagosta e um frango com piri-piri. Tive minhas horas de princesa numa banheira com vista para o mar e fui jantar. Comecei a me sentir muito mal: dores fortes nos ombros, dor de cabeca, sensacao de febre e muita fadiga. Os funcionarios do resort chamaram o medico, que furou o meu dedo (a agulha foi esterilizada, mae…) e pingou uma gota do meu sangue num exame instantaneo que nem aqueles de gravidez que a gente compra na farmacia. Deu negativo. Ufa. Ja pensou??? Tomei um cocktail de remedios e fui ler. Estou lendo As Boas Mulheres da China, um livro que conta historias que retratam a desgraca das mulheres chinesas. Para mim, eh muito dificil estar num resort em meio a toda desigualdade que ha fora daqui. Cada garfada de comida, lembro da Laila e da familia dela dividindo uma bacia de salada como almoco. Quantas Lailas ha no mundo! O resort foi um convite, pois vou escrever sobre Mocambique para algumas publicacoes, mas me sinto sempre no dever de cutucar o leitor escancarando a dura realidade do dia-a-dia de quem eh deixado de lado no regime capitalista. Hoje acordei as 4h da manha para uma cavalgada. Fomos ate as dunas ver o nascer do sol. Lindo demais. O sol e a lua daqui sao maiores do que os do Brasil, definitivamente. Depois mergulhei com snorkel e vi milhares de peixes multicolores. Amanha volto para o continete e devo encontrar com a Giu e a Marina. Saudades das minhas amigas. E do nosso Brasil, apesar de estar amando a viagem. Realmente, nao ha pais melhor do que o nosso, apesar dos pesares.

Postagens Antigas »

Categorias